De repente se viu numa floresta escura. A mata era densa, fechada, e a noite já caía. O silêncio era cortado apenas pelo farfalhar das copas das árvores e os sons dos pássaros se ajeitando no ninho.
Poderia se sentir segura, finalmente sozinha. Mas sabia que continuava sendo seguida, embora tivesse perdido a noção dos passos apressados que antes pareciam tão próximos.
Olhou ao redor e não viu nada. Respirou fundo e começou a procurar algum esconderijo onde pudesse passar a noite. O vento frio soprou mais forte e as folhas se agitaram com mais intensidade. Foi então que pensou ter ouvido os passos novamente.
Ouvidos atentos e olhos arregalados, tentando pescar alguma informação no meio do silêncio e da escuridão. Sim, eram os passos. Sim, estavam próximos.
Sem saber o que fazer, começou a correr na direção contrária ao som. Passava por arbustos, pisava a terra, tropeçava em pedras, mas seguia correndo. Seus pés descalços já estavam feridos e os braços carregavam arranhões dos galhos das árvores. Mas o medo era mais forte que a dor, e ela continuou.
Os passos pareciam cada vez mais próximos, enquanto buscava desesperadamente por uma saída. Uma casa, uma estrada, alguém... Mas tudo o que havia além da mata era a lua cheia no céu.
Quanto mais se embrenhava pelo bosque, maior era sensação de que não estava sozinha. Os ruídos aumentavam e, por vezes, pareciam sussurros. A escuridão tomava conta de tudo, cobria como uma manta as árvores, o mato, a terra. Mas ela sentia que estava sendo observada.
Tateando por entre troncos, encontrou um espaço que parecia seguro. Já não ouvia os passos, embora outros sons a deixassem muito mais apavorada.
Sentou-se junto à cavidade de um enorme tronco e parou novamente para observar ao redor. No escuro, as árvores parecem ganhar vida. Com os relances do luar, seus troncos parecem corpos retorcidos e, às vezes, quase é possível ver rostos humanos em suas reentrâncias.
Observou atentamente aquela imagem horrorizante. Parecia estar no inferno, vendo almas desesperadas tentando livrar-se do fogo. Os sussurros continuavam e ela tinha a impressão de que eram lamentos. Quanto mais tentava se distrair, mais altos ficavam.
O som dos passos já não podia ser ouvido. Nem o farfalhar das folhas. Nem os pássaros se ajeitando em seus ninhos. Os troncos das árvores gritavam!
Assustada, pressionava o corpo contra sua árvore. Aquela que pareceu um abrigo. Aquela que ela escolheu como esconderijo.
Quanto mais pressionava o corpo contra a casca dura e áspera do caule, mais calor sentia. A pele ardia e parecia derreter. Tentou levantar, mas seu corpo estava pesado. Os movimentos eram lentos e ela se sentia sugada para dentro daquela cavidade.
Olhou para baixo e já não conseguia ver os próprios pés. Não podia distingui-los na escuridão. Parecia que só havia casca de árvore ali....
Gritou por socorro. No momento de desespero, desejou que o dono daqueles passos a encontrasse. Talvez ele fosse misecordioso o bastante para salvá-la. Mas não. Não havia mais ninguém.
Lembrou do início da noite e desejou que nunca tivesse escolhido fugir para o bosque. Qualquer coisa que ele lhe fizesse seria menos aterrorizante do que o pesadelo que estava vivendo.
Esticou o corpo o máximo que pode e tentou sair dali. Mas foi paralizando, perdendo os movimentos e a sensibilidade. Já não conseguia ver seu corpo, suas roupas, seus braços. Tudo parecia árvore. Apenas ávore. Até que seu rosto foi engolido por uma onda de calor intensa e dolorida.
A visão ficou turva e ela perdeu os sentidos. O calor diminuiu até finalmente se transformar em frio. Ela já podia sentir a brisa noturna novamente.
E, de repente, ali havia apenas uma árvore. Mais uma árvore entre tantas outras que, noite após noite, lamentariam sua dor em sussurros assustadores.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Conto de Terror N° 1
Acordou tonto. Não lembrava de nada e a cabeça doía insuportavelmente. Tentou se mexer, mas não conseguiu. O corpo pesava e ele parecia não ter controle sobre seus membros. Como fora parar ali? Onde estava?
Aos poucos, os olhos se acostumaram com a escuridão e ele reconheceu seu quarto. Estava deitado na cama, fitando o teto. Notou que ainda calçava tênis. Ainda usava a jaqueta de couro com a qual tinha saído.
Conforme ia recobrando os sentidos, flashs de memória apareciam em sua mente. Lembrava de ter saído na noite anterior. Fora a uma festa, numa casa noturna da qual nunca tinha ouvido falar. Coisas de Marcos... Tinha mania de levar os amigos nos lugares mais obscuros!
Engraçado que ele não se lembrava como havia chegado na boate. Só lembrava de estar no lugar... Um lugar escuro, com móveis pesados, cortinas vermelhas, um tanto opressor. Mas havia lindas garotas... Sim, ele lembrava de ter trocado olhares com várias delas! Quando tinha sido a última vez que tantas mulheres lindas tinham lhe dado bola?
As cenas estavam nubladas, como num sonho. Mas ele podia se ver no bar, bebendo. Uma das mulheres se aproximava. Não conseguia lembrar a conversa. Num piscar de olhos já se via num canto afastado, com ela.
A mulher era incrivelmente sensual e o beijava com força, com desejo. Ele se sentia cada vez mais atraído por ela. Prensava seu corpo contra a parede. Sentia a respiração ofegante dela. Estava enfeitiçado.
Não lembrava como tinha saído da boate. Não lembrava como tinha chegado àquele lugar. Pra dizer a verdade, não sabia que lugar era aquele. Só lembrava de ter transado com ela em meio a luz de velas. Muitas velas... E eles pareciam estar num altar. Seria um motel temático?
Ele estava adorando aquilo tudo mas, ao mesmo tempo, se sentia estranho. Era como se estivesse sendo observado. Tinha quase certeza de ter visto vultos passarem pela lateral do salão, mas não sabia dizer. Pensava ter ouvido alguma música ao fundo. Algo como um coral. Realmente parecia um sonho. Mas ele sabia que tinha acontecido.
Então, lembrava de estar num carro, indo pra casa. Não sabia dizer se era um táxi, não lembrava de ter dado o seu endereço. Apenas sentia o balanço do carro e sabia que estava indo na direção certa.
Não fazia ideia de como tinha saído do carro. Sabia que tinha aberto a porta de casa, mas não lembrava de mais nada depois disso.
Então, acordava no meio da noite. Ou já seria dia? A escuridão parecia dar lugar a uma penumbra e ele ia se sentindo mais leve.
Mexeu as pontas dos dedos, olhou para os lados e, pouco a pouco, seu corpo foi recuperando o movimento. A dor de cabeça ainda era lancinante. Estava enjoado e, apesar da tontura, resolveu levantar.
Esfregou os olhos, tomou impulso e levantou. Tateando as paredes, conseguiu chegar ao banheiro. Estava muito enjoado. Lavou o rosto, mas mal conseguia se olhar no espelho. A visão estava turva. O enjoo piorou. Não se conteve e vomitou.
Voltou a lavar o rosto. Ainda se sentia muito mal. Olhou seu reflexo no espelho e tentou descobrir alguma pista do que poderia ter acontecido. Mas não via nada diferente... nada que lhe chamasse a atenção.
De repente, pelo reflexo do espelho, ele teve a impressão de que algo estranho acontecia no vaso sanitário. Onde deveria haver apenas o seu vômito, parecia crescer uma massa disforme e avermelhada.
Girou a cabeça devagar, hesitante, sem saber o que encontraria. Então, chocado, fixou os olhos no vaso. A massa tomava a forma de uma criatura de meio metro, humanóide, magra, com pequenos chifres, dentes afiados e garras enormes.
O pavor tomou conta de seu corpo. Por um momento, sentiu-se paralizado. Mas, no instante em que os olhos vermelhos da criatura encontraram os seus, correu pra fora do banheiro.
O pequeno diabo vinha atrás, e ele só conseguiu pensar em se trancar no quarto. Parecia loucura demais para ser verdade, mas era tão assustador que ele preferiu não duvidar. Nunca havia sentido tanto medo.
Encolhido num canto do quarto, ouviu o barulho das garras roçando contra a porta de madeira. Tremia, suava frio. Estava encurralado. Fechou os olhos e rezou, imaginando ser a única coisa que lhe restava fazer.
A porta rachou. Pedaços foram arrancados e ele apenas ouvia o barulho e imaginava o seu fim. Então, sentiu a criatura se aproximando. Podia sentir sua respiração. Seu cheiro era horrível e ele se sentia cada vez mais apavorado.
Sentiu as garras cravarem em sua pele. Uma dor indescritível o atingiu. E tudo apagou...
- - -
Então, ele acordou. Estava meio escuro e ele se sentia tonto. A cabeça doía, parecia uma ressaca das grandes. Notou que estava deitado em sua cama e sentiu um certo alívio.
Respirou fundo, mas não conseguiu se mexer. Tentou lembrar como tinha ido parar ali, mas flashs confusos da noite anterior eram tudo o que ele tinha. Enjoo, muito enjoo. O drink, a mulher, o altar... Mais enjoo. Estava calçando tênis... estava vestindo a jaqueta...
O carro, a chegada em casa. Estava ficando cada vez mais tonto. A vontade de vomitar crescia... O banheiro, o espelho, a criatura!
O desespero tomou conta de sua mente. Seu coração acelerou.
Aos poucos, os olhos se acostumaram com a escuridão e ele reconheceu seu quarto. Estava deitado na cama, fitando o teto. Notou que ainda calçava tênis. Ainda usava a jaqueta de couro com a qual tinha saído.
Conforme ia recobrando os sentidos, flashs de memória apareciam em sua mente. Lembrava de ter saído na noite anterior. Fora a uma festa, numa casa noturna da qual nunca tinha ouvido falar. Coisas de Marcos... Tinha mania de levar os amigos nos lugares mais obscuros!
Engraçado que ele não se lembrava como havia chegado na boate. Só lembrava de estar no lugar... Um lugar escuro, com móveis pesados, cortinas vermelhas, um tanto opressor. Mas havia lindas garotas... Sim, ele lembrava de ter trocado olhares com várias delas! Quando tinha sido a última vez que tantas mulheres lindas tinham lhe dado bola?
As cenas estavam nubladas, como num sonho. Mas ele podia se ver no bar, bebendo. Uma das mulheres se aproximava. Não conseguia lembrar a conversa. Num piscar de olhos já se via num canto afastado, com ela.
A mulher era incrivelmente sensual e o beijava com força, com desejo. Ele se sentia cada vez mais atraído por ela. Prensava seu corpo contra a parede. Sentia a respiração ofegante dela. Estava enfeitiçado.
Não lembrava como tinha saído da boate. Não lembrava como tinha chegado àquele lugar. Pra dizer a verdade, não sabia que lugar era aquele. Só lembrava de ter transado com ela em meio a luz de velas. Muitas velas... E eles pareciam estar num altar. Seria um motel temático?
Ele estava adorando aquilo tudo mas, ao mesmo tempo, se sentia estranho. Era como se estivesse sendo observado. Tinha quase certeza de ter visto vultos passarem pela lateral do salão, mas não sabia dizer. Pensava ter ouvido alguma música ao fundo. Algo como um coral. Realmente parecia um sonho. Mas ele sabia que tinha acontecido.
Então, lembrava de estar num carro, indo pra casa. Não sabia dizer se era um táxi, não lembrava de ter dado o seu endereço. Apenas sentia o balanço do carro e sabia que estava indo na direção certa.
Não fazia ideia de como tinha saído do carro. Sabia que tinha aberto a porta de casa, mas não lembrava de mais nada depois disso.
Então, acordava no meio da noite. Ou já seria dia? A escuridão parecia dar lugar a uma penumbra e ele ia se sentindo mais leve.
Mexeu as pontas dos dedos, olhou para os lados e, pouco a pouco, seu corpo foi recuperando o movimento. A dor de cabeça ainda era lancinante. Estava enjoado e, apesar da tontura, resolveu levantar.
Esfregou os olhos, tomou impulso e levantou. Tateando as paredes, conseguiu chegar ao banheiro. Estava muito enjoado. Lavou o rosto, mas mal conseguia se olhar no espelho. A visão estava turva. O enjoo piorou. Não se conteve e vomitou.
Voltou a lavar o rosto. Ainda se sentia muito mal. Olhou seu reflexo no espelho e tentou descobrir alguma pista do que poderia ter acontecido. Mas não via nada diferente... nada que lhe chamasse a atenção.
De repente, pelo reflexo do espelho, ele teve a impressão de que algo estranho acontecia no vaso sanitário. Onde deveria haver apenas o seu vômito, parecia crescer uma massa disforme e avermelhada.
Girou a cabeça devagar, hesitante, sem saber o que encontraria. Então, chocado, fixou os olhos no vaso. A massa tomava a forma de uma criatura de meio metro, humanóide, magra, com pequenos chifres, dentes afiados e garras enormes.
O pavor tomou conta de seu corpo. Por um momento, sentiu-se paralizado. Mas, no instante em que os olhos vermelhos da criatura encontraram os seus, correu pra fora do banheiro.
O pequeno diabo vinha atrás, e ele só conseguiu pensar em se trancar no quarto. Parecia loucura demais para ser verdade, mas era tão assustador que ele preferiu não duvidar. Nunca havia sentido tanto medo.
Encolhido num canto do quarto, ouviu o barulho das garras roçando contra a porta de madeira. Tremia, suava frio. Estava encurralado. Fechou os olhos e rezou, imaginando ser a única coisa que lhe restava fazer.
A porta rachou. Pedaços foram arrancados e ele apenas ouvia o barulho e imaginava o seu fim. Então, sentiu a criatura se aproximando. Podia sentir sua respiração. Seu cheiro era horrível e ele se sentia cada vez mais apavorado.
Sentiu as garras cravarem em sua pele. Uma dor indescritível o atingiu. E tudo apagou...
- - -
Então, ele acordou. Estava meio escuro e ele se sentia tonto. A cabeça doía, parecia uma ressaca das grandes. Notou que estava deitado em sua cama e sentiu um certo alívio.
Respirou fundo, mas não conseguiu se mexer. Tentou lembrar como tinha ido parar ali, mas flashs confusos da noite anterior eram tudo o que ele tinha. Enjoo, muito enjoo. O drink, a mulher, o altar... Mais enjoo. Estava calçando tênis... estava vestindo a jaqueta...
O carro, a chegada em casa. Estava ficando cada vez mais tonto. A vontade de vomitar crescia... O banheiro, o espelho, a criatura!
O desespero tomou conta de sua mente. Seu coração acelerou.
domingo, 8 de novembro de 2009
This Is It
É isso. É isso mesmo. Michael Jackson é o melhor. Assim, no presente, não no passado. É o melhor porque ele começou boa parte da revolução na indústria da música e do entretenimento. Porque ninguém nunca superou sua genialidade. E porque, vendo o seu último trabalho, mesmo que incompleto, só se pode concluir uma coisa: ninguém nunca vai superar.
Assistir ao filme/documentário sobre os shows que Michael Jackson faria em Londres é uma experiência indescritível. Vê-lo trabalhando, criando, dando o melhor de si e exigindo o melhor dos outros, quase nos faz pensar que não, ele não era humano. Aquele homem não conhecia limitações, medo, insegurança. Era ousado como poucos e brilhante como ninguém.
O filme mostra uma coletânea de cenas extraídas de mais de cem horas de gravação, que intercalam ensaios e bastidores, revelando como seriam os números e um pouco do trabalho por trás das câmeras. Em todos os momentos fica claro quem estava no comando e o nível de dedicação a que um artista pode chegar. Mais do que simplesmente "fazer a sua parte", Michael Jackson analisa e determina cada detalhe do trablho de toda a equipe, sempre buscando o ideal da perfeição.
Infelizmente não se vê na tela nenhum número completo. Não há ensaios com figurinos e Michael assumidamente poupa a voz e o corpo para o grande momento. Mas, por incrível que pareça, esses detalhes não fazem diferença. O homem desacreditado, derrotado, o doente que não seria mais capaz de cantar e dançar prova-se nada mais do que um mito cruel criado pela imprensa. O que vemos é uma pessoa forte, saudável, feliz e satisfeita. Um cantor com uma voz linda e afinada e um dançarino com energia para muito mais do que cinquenta shows. Enfim, o que vemos no vídeo é o Michael Jackson de sempre.
E os efeitos especiais... Os figurinos (que aparecem rapidamente)... Os cenários... Tudo perfeito, criado para surpreender, inovar e deixar o mundo boquiaberto, bem no estilo que consagrou Michael Jackson. Se incompleto This Is It já se mostrou uma experiência fantástica, quando pronto certamente seria o melhor show de que já se teve notícia. Dificilmente seria superado e certamente jamais seria esquecido.
O filme, considerado por muitos um caça-níqueis, para mim é uma declaração de amor. Uma homenagem de uma equipe que teve o privilégio e a honra de trabalhar com o Rei do Pop. Uma demonstração de gratidão de pessoas que conheceram e conviveram com o homem por trás do mito. E que, como é possível ver claramente, se apaixonaram por ele.
Porque Michael Jackson era assim, apaixonante. Exigente porém extremamente educado. Cativante com seu jeito infantil. Intrigante com sua sabedoria e genialidade. Surpreendente com sua bondade. Era um ser humano extraordinário. E, sem sombra de dúvidas, era um artista completo.
Por tudo isso This Is It é um tapa com luva de paetês na cara dos críticos. Que, por sinal, tem se rendido aos encantos do Rei do Pop e se deliciado com sua arte...
Então é isso: o tempo vai passar e, mesmo que seja apenas em nossas lembranças, Michael Jackson sempre será o melhor. Sempre será Rei.
Assistir ao filme/documentário sobre os shows que Michael Jackson faria em Londres é uma experiência indescritível. Vê-lo trabalhando, criando, dando o melhor de si e exigindo o melhor dos outros, quase nos faz pensar que não, ele não era humano. Aquele homem não conhecia limitações, medo, insegurança. Era ousado como poucos e brilhante como ninguém.
O filme mostra uma coletânea de cenas extraídas de mais de cem horas de gravação, que intercalam ensaios e bastidores, revelando como seriam os números e um pouco do trabalho por trás das câmeras. Em todos os momentos fica claro quem estava no comando e o nível de dedicação a que um artista pode chegar. Mais do que simplesmente "fazer a sua parte", Michael Jackson analisa e determina cada detalhe do trablho de toda a equipe, sempre buscando o ideal da perfeição.
Infelizmente não se vê na tela nenhum número completo. Não há ensaios com figurinos e Michael assumidamente poupa a voz e o corpo para o grande momento. Mas, por incrível que pareça, esses detalhes não fazem diferença. O homem desacreditado, derrotado, o doente que não seria mais capaz de cantar e dançar prova-se nada mais do que um mito cruel criado pela imprensa. O que vemos é uma pessoa forte, saudável, feliz e satisfeita. Um cantor com uma voz linda e afinada e um dançarino com energia para muito mais do que cinquenta shows. Enfim, o que vemos no vídeo é o Michael Jackson de sempre.
E os efeitos especiais... Os figurinos (que aparecem rapidamente)... Os cenários... Tudo perfeito, criado para surpreender, inovar e deixar o mundo boquiaberto, bem no estilo que consagrou Michael Jackson. Se incompleto This Is It já se mostrou uma experiência fantástica, quando pronto certamente seria o melhor show de que já se teve notícia. Dificilmente seria superado e certamente jamais seria esquecido.
O filme, considerado por muitos um caça-níqueis, para mim é uma declaração de amor. Uma homenagem de uma equipe que teve o privilégio e a honra de trabalhar com o Rei do Pop. Uma demonstração de gratidão de pessoas que conheceram e conviveram com o homem por trás do mito. E que, como é possível ver claramente, se apaixonaram por ele.
Porque Michael Jackson era assim, apaixonante. Exigente porém extremamente educado. Cativante com seu jeito infantil. Intrigante com sua sabedoria e genialidade. Surpreendente com sua bondade. Era um ser humano extraordinário. E, sem sombra de dúvidas, era um artista completo.
Por tudo isso This Is It é um tapa com luva de paetês na cara dos críticos. Que, por sinal, tem se rendido aos encantos do Rei do Pop e se deliciado com sua arte...
Então é isso: o tempo vai passar e, mesmo que seja apenas em nossas lembranças, Michael Jackson sempre será o melhor. Sempre será Rei.
domingo, 26 de julho de 2009
Coração
O coração não estava partido... ele estava em pedaços. Em minúsculos caquinhos espalhados pelo chão. Juntá-los foi difícil. Encontrar cada pedacinho e então encaixá-los novamente. O trabalho foi como montar um quebra-cabeças... e foi demorado... lento... levou tempo.
Então, finalmente, todos os pedacinhos estavam juntos e aquele emaranhado de cacos tinha novamente o formato de um coração. Mas faltava algo... bem no meio, bem no centro do coração, havia um grande buraco. Um branco, um vazio.
Mas não adiantava procurar por aquele pedaço, porque ele havia se perdido para sempre... E era preciso aprender a viver assim.
Então, finalmente, todos os pedacinhos estavam juntos e aquele emaranhado de cacos tinha novamente o formato de um coração. Mas faltava algo... bem no meio, bem no centro do coração, havia um grande buraco. Um branco, um vazio.
Mas não adiantava procurar por aquele pedaço, porque ele havia se perdido para sempre... E era preciso aprender a viver assim.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Michael Joseph Jackson [29/08/1958 - 25/06/2009]
Querido,
Durante toda a minha vida acompanhei seu trabalho, sua carreira, seu sucesso, sua luta. Estive contigo em todos os momentos, celebrei suas vitórias, sofri suas derrotas. Sorri os seus sorrisos e chorei as suas lágrimas.
Tornei-me sua fã ainda muito pequena, logo que tomei conhecimento da sua existência. E ali, naquele momento, de uma forma louca e mágica, minha vida se misturou com a sua. Desde aquela época eu tinha a sensação de te conhecer e parecia certo que um dia nos encontraríamos. Era como se nossas vidas estivessem de alguma forma ligadas, por mais impossível que isso parecesse.
Por isso, Michael, posso dizer que você também sempre esteve comigo. Esteve no meu coração, nos meus pensamentos, nos meus sonhos. Fez parte da minha alma e da minha vida. Me fez feliz, mesmo sem saber, com suas músicas, suas danças, sua arte... ou apenas com sua existência.
Você não foi apenas um ídolo, você foi um exemplo. Sempre te vi como um ser humano maravilhoso, dono de um coração puro e cheio de bondade. Uma pessoa forte, corajosa, batalhadora. Alguém que ousava sonhar e ser quem era. Alguém que me ensinou muito.
E durante esses 24 ou 25 anos, foram tantos os sentimentos... e minha vida acabou pautada pela sua... e você se tornou muito mais do que um ídolo. Você foi para mim algo como um amigo distante, de quem eu nunca tinha notícias, mas a quem eu amava, respeitava, admirava. E, apesar de me dizerem que era “coisa de adolescente”, tudo isso só se fortaleceu com tempo.
E então chegou o dia de pensar a minha vida sem você.... E eu não tenho palavras para descrever a dor de te perder. O vazio que invade o meu coração, a dormência na minha alma. A vida perde um pouco do sentido sem você...
A ferida é profunda e a dor beira o insuportável... Mas você me ensinou a ser forte, a erguer a cabeça e enfrentar os desafios e, portanto, prometo lutar e seguir em frente. Prometo honrar o seu nome e o seu legado, manter sua arte viva através da história e perpetuar suas lições de amor.
Sou sua fã para sempre e para sempre te amo.
Agora, querido, descanse em paz. Deus te abençoe e te guarde. Um mundo de luz te espera e você há de encontrar o amor que tanto buscou.
E, quando se sentir só entre as nuvens, não esqueça de olhar para baixo... Os dias, meses e anos podem passar, mas estarei sempre com você.
Te amo!
Durante toda a minha vida acompanhei seu trabalho, sua carreira, seu sucesso, sua luta. Estive contigo em todos os momentos, celebrei suas vitórias, sofri suas derrotas. Sorri os seus sorrisos e chorei as suas lágrimas.
Tornei-me sua fã ainda muito pequena, logo que tomei conhecimento da sua existência. E ali, naquele momento, de uma forma louca e mágica, minha vida se misturou com a sua. Desde aquela época eu tinha a sensação de te conhecer e parecia certo que um dia nos encontraríamos. Era como se nossas vidas estivessem de alguma forma ligadas, por mais impossível que isso parecesse.
Por isso, Michael, posso dizer que você também sempre esteve comigo. Esteve no meu coração, nos meus pensamentos, nos meus sonhos. Fez parte da minha alma e da minha vida. Me fez feliz, mesmo sem saber, com suas músicas, suas danças, sua arte... ou apenas com sua existência.
Você não foi apenas um ídolo, você foi um exemplo. Sempre te vi como um ser humano maravilhoso, dono de um coração puro e cheio de bondade. Uma pessoa forte, corajosa, batalhadora. Alguém que ousava sonhar e ser quem era. Alguém que me ensinou muito.
E durante esses 24 ou 25 anos, foram tantos os sentimentos... e minha vida acabou pautada pela sua... e você se tornou muito mais do que um ídolo. Você foi para mim algo como um amigo distante, de quem eu nunca tinha notícias, mas a quem eu amava, respeitava, admirava. E, apesar de me dizerem que era “coisa de adolescente”, tudo isso só se fortaleceu com tempo.
E então chegou o dia de pensar a minha vida sem você.... E eu não tenho palavras para descrever a dor de te perder. O vazio que invade o meu coração, a dormência na minha alma. A vida perde um pouco do sentido sem você...
A ferida é profunda e a dor beira o insuportável... Mas você me ensinou a ser forte, a erguer a cabeça e enfrentar os desafios e, portanto, prometo lutar e seguir em frente. Prometo honrar o seu nome e o seu legado, manter sua arte viva através da história e perpetuar suas lições de amor.
Sou sua fã para sempre e para sempre te amo.
Agora, querido, descanse em paz. Deus te abençoe e te guarde. Um mundo de luz te espera e você há de encontrar o amor que tanto buscou.
E, quando se sentir só entre as nuvens, não esqueça de olhar para baixo... Os dias, meses e anos podem passar, mas estarei sempre com você.
Te amo!
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